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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

APRESENTAÇÃO DE TESE SOBRE ROTIFERA

Hoje as 9:00 horas o então estudante de doutorado do Curso de Biologia de Água Doce e Pesca Interior do INPA-Manaus, Elvis Vásquez Rimachi, apresentou seu seminário público de doutorado. esta é a penúltima etapa para que o estudante receba seu título de doutor. A última etapa será incorporar as correções da banca examninadora que foi formada por 7 pesquisadores doutores de vários locais do Brasil e Exterior. Pelos parecereces recebidos o candidato teve sua tese aprovada.
O seminário tem o objetivo de apresentar ao público o trabalho do estudante. O título da tese é :
ESTRUTURA E DINÂMICA DE ROTÍFEROS (ROTIFERA) EM VÁRIOS MICROHABITATS DE UM LAGO DE ÁGUA PRETA (LAGO TUPÉ), NA AMAZÔNIA CENTRAL, BRASIL”
Neste estudo foram realizadas amostras para capturar o maior número possível da comunidade de rotíferos do lago Tupé e, assim, ter uma estimativa mais próxima da realidade sobre a diversidade desses organismos neste ambiente, que paradoxalmente, por ser de águas pretas, tem sido considerado como um ambiente "pobre". Foram encontradas 169 táxons, sendo 132 novos registros para o lago Tupé. Este é, portanto, o terceiro maior número de espécies desses organismos encontrado no Brasil, em estudos que tiveram metodologia semelhante, principalmente quanto aos hábitats amostrados.
Deve-se também levar em consideração, ao comparar este número com os obtidos em outros estudos prévios, o fato de que, tradicionalmente, as amostragens desses organismos vinham sendo feitas apenas na região limnética de lagos e reservatórios, ou seja, onde tem se verificado que existe menor diversidade desses organismos. A novidade reside no fato de serem amostrados, além da região limnética, vários outros hábitas como o fundo do lago, sedimento, macrófitas, serapilheira (restos vegetais) inundada e igapó.
Estes organismos são importantes no ambiente aquático das águas interiores porque eles servem de alimento para uma série de outros organismos, isto significa que ele é um importante elo de transferência de energia para outros níveis das cadeias tróficas existentes nesses ambientes. Além disso, entender a história e o comportamento dessas comunidades nos permite fazer inferências sobre a saúde dos ambientes aquáticos e sobre o efeito das várias ações que estes vem sofrendo ao longo dos anos com o avanço da indsutrialização, desmatamento e urbanização.
Elvis Vásquez é o segundo estudante de doutorado ligado ao Projeto Biotupé, com especialidade em biologia aquática, a se titular este ano. Além dele, o Dr. André Ricardo Ghidini, especialista em cladóceros (microcrustáceo aquático) defendeu sua tese este ano.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Tese sobre Diversidade Total de Cladocera no Lago Tupé

No dia 21 de junho de 2001 foi apresentado mais um trabalho final de doutorado de André Ricardo Ghidini, do Laboratório de Plâncton do INPA.
Este trabalho foi avaliado por escrito por uma banca de sete especialistas de vários locais do Brasil e exterior, tendo sido aprovado. O trabalho intitulado:
Cladóceros (Crustacea: Anomopoda e Ctenopoda) em diferentes hábitats de um lago de águas pretas da Amazônia Central (Lago Tupé, Amazonas, Brasil)
é pioneiro na Amazônia ao se propor a levantar a diversidade total de Cladocera do lago Tupé. A abordagem tradicional tem sido o estudo desses organismos da região limnética, o que na verdade representa apenas uma parcela minoritária da diversidade total de Cladocera. Leia abaixo o resumo do trabalho.
Nos últimos anos um grande número de estudos passaram enfocar a região litorânea dos ambientes dulcícolas, especialmente porque o crescente conhecimento sobre esta região apontam alta produtividade, complexidade de hábitats e nichos ecológicos e alta diversidade. Entre os cladóceros (Crustacea, Anomopoda e Ctenopoda) a maioria das espécies já descritas são exclusivamente bentônicas habitando principalmente a região litorânea, porém os estudos enfocando este grupo foram tradicionalmente executados na região limnética, enfocando apenas os organismos planctônicos. Na Bacia Amazônica os registros de cladóceros bentônicos são escassos e poucos estudos deram destaque para este grupo de organismos. Em lagos de água preta, a região litorânea é bastante diferenciada, especialmente pela falta de macrófitas aquática flutuantes e pelo alagamento da floresta de igapó e da serapilheira de fundo, o que constitui hábitats diferenciados. No lago Tupé esta diferenciada zona litorânea não é permanente, estando presente apenas durante o período de águas altas, sendo que na seca as margens desse lago são predominantemente arenosas e o lago constitui um sistema tipicamente limnético. O objetivo deste estudo foi determinar a composição, riqueza de espécies e diversidade de cladóceros associados a diferentes hábitats do lago Tupé, e a variação destes atributos ao longo do ciclo hidrológico. Os hábitats examinados foram: região limnética e fundo do lago, bancos da macrófita aquática Utricularia foliosa e a zona litorânea, constituída pela zona da margem e zona da serapilheira. As amostragens foram realizadas nestes hábitats nos meses de abril, junho, setembro, outubro e novembro/08 e fevereiro/09, obtendo-se qualitativas e quantitativas. Um total de 76 espécies foram registradas, sendo a maioria (40 espécies) da família Chydoridae. As espécies mais frequentes deste estudo foram Bosminopsis deitersi, Ceriodaphnia cornuta, Ilyocryptus spinifer, Diaphanosoma polyspina, Alonella dadayi, Alonella clathratula, Ephemeroporus barroisi, Bosmina longirostris, Bosmina hagmanni e Alonella n.sp. As maiores riqueza de espécies foram observadas na zona de serapilheira (S=64), nos bancos de utriculária (S=50) e na zona da margem (S=39). Um total de 25 espécies foram observadas na região limnética e 16 na região profunda do lago Tupé. De maneira geral, a riqueza de espécies é maior durante o período de águas altas, quando a floresta de igapó estava alagada e os bancos da utriculária eram presentes. As espécies observadas neste período desaparecem do lago e não são observadas durante o período de águas baixas, quando apenas a região limnética e profunda do lago contribuem para a diversidade no local. Foi observado também que com o início de um novo ciclo de inundação, as espécies de cladóceros associadas a zona litorânea e bancos de utriculária se reestabelecem evidenciando a adaptação destes organismos a variação do nível da água provocada pelo pulso de inundação do Rio Amazonas, o qual afeta a disponibilidade de habitat para estes organismos.
Contato: André Ricardo Ghidini: andrericardo83@gmail.com